sexta-feira

CONHECENDO O TRABALHO DO CÃO GUIA

Cão Guia de Cego


dog_guidedogs.jpg (19945 bytes)Entre as muitas atividades que os cães desempenham no cotidiano das pessoas, uma delas é especialmente reconhecida: a de cão guia de cego.

Aqui no Brasil ainda são poucas as pessoas que contam que esse auxílio, mas aos poucos as associações começam a investir em projetos de capacitação e treinamento de cães para esta função. Para completar o quadro, a ignorância e a falta de solidariedade ainda chegam a impedir que os portadores de deficiência visual possam transitar livremente com seus cães em locais públicos. (Veja o caso de Ethel, publicado no Dog’s Times)

Ao contrário, nos Estados Unidos e Europa essas associações e fundações tem um trabalho extremamente sofisticado e reconhecido pela comunidade e pelos criadores que doam filhotes para essa função. E vão além: algumas montaram seus próprios canis com o objetivo de garantir que haja sempre a renovação e incorporação de novos cães que cumpram essa função.

As raças

cego.jpg (4005 bytes)A escolha das raças caninas a serem utilizadas para a função de cão guia é bastante diferente dependendo do país. Mas de maneira geral as mais utilizadas são: Pastor Alemão, Golden Retriever e Retriever do Labrador, mas isso não quer dizer que apenas estas ração tenham aptidão para serem treindadas. Na Nova Zelândia, por exemplo, até mesmo os simpáticos vira-latas podem ser treinados para ser um cão-guia.

As principais qualidades que devem ser procuradas nos cães são temperamento dócil e equilibrado, facilidade de adaptação a novas situações, tamanho, tipo de pelagem, inteligência e facilidade em aprender, uma vez que o cão terá que passar por um longo período de treinamento que o capacitará a desempenhar uma série de funções fundamentais para o bem estar do seu dono.

O Treinamento

indeximage2.jpg (22705 bytes)Após o nascimento, o candidato a cão-guia é observado até a 8ª semana de vida para verificação da saúde, temperamento e espírito de liderança. Se for aprovado, passa por um período de socialização e convivência com humanos que dura aproximadamente 1 ano, durante o qual será cuidado por uma família voluntária.

Enquanto estiver sob os cuidados desta família ‘tempória’, o cão deverá ser exposto ao maior número de informações e experiências possíveis, saindo para passear todos os dias, a pé ou de carro, para diferentes lugares, tranqüilos e movimentados, tendo bastante contato com muitas pessoas, entrando em lojas e restaurantes, fazendo viagens com a família, participando de todos os acontecimentos familiares e logicamente entrando em casa.

É também durante esta fase que é feito o adestramento básico de obediência de forma caseira, mas também orientada pelo instrutor, onde o cão aprende o "senta", o "deita", o "fica", parar para descer ou subir escadas, parar para atravessar a rua, andar do lado esquerdo e um pouco à frente, saber se comportar educadamente e tranqüilamente em todos os lugares por onde andar, como também nos taxis, ônibus, metrôs, ...

dog_trainers_2.jpg (19131 bytes)Somente depois ele voltará para a escola onde será treinado para o trabalho por aproximadamente 7 meses. Os cães que não se qualificarem como "guias" serão utilizados como cães de companhia para pessoas com dificuldade de locomoção, farejadores ou outras atividades.

Neste período de treinamento, os adestradores, com formação técnica específica para esse fim, proporcionam aos cães o contato com diversos ambientes e novas situações de uma forma gradual.

Treinamento específico

Quando o cão atinge a idade de 1, ele deve começar o treinamento específico para a função de cão-guia. Por mais ou menos 3 meses, vai ser trabalhado pelo adestrador, verificando o aprendizado que recebeu enquanto vivia com a família voluntária, fazendo-se as devidas correções e aperfeiçoando o adestramento básico de obediência.

dog_film_obstacle2.jpg (21103 bytes)O adestrador reforçará e aperfeiçoará a condução do cão em linha reta e posicionado à sua esquerda, fazer o fica a qualquer momento, parar (e sentar) para atravessar ruas, estar desviando de obstáculos elementares, ou seja, buracos no chão, poças d'águas, latões, sacos de lixo, ... e estar aproveitando toda e qualquer situação que surja, durante os treinos. Assim que o cão se adaptou ao seu adestrador, podemos introduzir o peitoral específico de guia, para irmos completando o equipamento de uso.

Ao término destes 3 meses iniciais, e dependendo da performance do cão, é iniciado a adaptação do cão ao uso do peitoral específico de guia. Nesta fase ele dever ir se acostumando ao novo material e também deve ter mais atenção e concentração do cão, fazendo os exercícios num percurso mais complicado, diversificando mais situações e reforçando sempre sua atenção aos obstáculos, fazendo com que desvie sem esbarrar e mostrando ao cão que deve haver espaço para os 2 poderem passar.

Após o período de educação específica, o cão estará pronto para o contato com o seu futuro dono, situação esta que será personalizada, isto é, respeitará as características do cego e do seu ambiente procurando atribuir a cada um o cão mais adequado.

O mais importante, durante todo esse processo é a boa condução do cão, levando-se em conta o temperamento do cão, e não exigindo dele mais do que de fato esteja preparado a fazer. Até mesmo as repreensões devem que ser equilibradas, pois não podemos ter um cão medroso e sem iniciativa.

Quando o trabalho do adestrador com o cão estiver pronto, é chegada a hora de promover a integração do cão com o cego. Esse processo pode durar cerca de 3 semanas, durante o qual o usuário vai receber todas as orientações necessárias de como cuidar e manter este cão e, principalmente, como usá-lo como seu guia.

Os cães guia (tanto machos quanto fêmeas) são entregues aos seus usuários já castrados. Esta medida tem como o objetivo evitar os problemas decorrentes da maturidade sexual dos cães, que ocorre normalmente entre os 12 e os 18 meses.

Cuidados especiais


  • Os cães guias de cego não devem ser tocados por pessoas estranhas durante o seu ‘horário de trabalho’;
  • Não distraia ou tente brincar com ele enquanto ele estiver trabalhando. O seu dia-a-dia é bastante estressante e deve ser respeitado

segunda-feira

COMO AGIR COM UM CÃO GUIA

  • É tentador acariciar um cão-guia, mas lembre-se que este cão é responsável por conduzir alguém que não pode ver. O cão nunca deve ser distraído desse dever. A segurança de uma pessoa pode depender do alerta e da concentração do cão.
  • Não tem problema em perguntar se você pode acariciar seu guia. Muitos usuários gostam de socializar seus cães quando têm tempo. A responsabilidade principal do cão é o seu sócio cego, e é importante que o cão não seja solicitado enquanto trabalha.
  • Nunca deve ser fornecido alimento ou outras coisas que distraiam um cão-guia. Os cães são alimentados em uma programação e seguem uma dieta específica a fim de mantê-los em condições melhores. Mesmo os insignificantes desvios de sua rotina podem interromper sua alimentação regular, substituir rotinas e incomodar seus alimentadores. Os cães-guia são treinados para resistir ofertas de alimentos, e assim visitar restaurantes sem ficar implorando por comida. Alimentar desejos a um cão-guia enfraquece este treinamento.
  • Embora os cães-guia não possam ler sinais de tráfego, são responsáveis em ajudar seus condutores a cruzarem a rua com segurança. Chamar um cão-guia ou intencionalmente obstruir seu trajeto pode ser perigoso para a dupla, porque poderia quebrar a concentração do cão em seu trabalho.
  • Escutar o fluxo de tráfego tornou-se mais difícil para os treinadores de cão-guia devido a motores mais quietos e ao número crescente dos carros na rua. Por favor, não buzine nem o chame de seu carro para sinalizar quando é seguro cruzar, pois pode ser que o distraia e desconcentre. Seja especialmente cuidadoso com os pedestres nos cruzamentos e quando o farol ficar vermelho.
  • A vida do cão-guia não é somente trabalho. Quando não estão com a coleira, são tratados da mesma maneira que animais de estimação. Entretanto, para a própria segurança deles, são permitidos brincar com brinquedos específicos. Por favor, não lhes ofereça brinquedos sem primeiramente pedir a permissão do seu dono ou treinador.
  • De tempos em tempos, um cão-guia comete erros e deve ser corrigido a fim de manter seu treinamento. Esta correção geralmente envolve uma punição verbal juntamente com uma correção de correia. Os treinadores utilizam métodos apropriados de correção para serem usados com seus cães, por isso não estranhe estas

sábado

De onde vêm os cães-guia


Os cães-guia vêm de escolas de cães-guia. Em geral, estas instituições fornecem cães-guia para pessoas com deficiência visual sem custo. A maioria das escolas opera sem fins lucrativos, e basicamente são fundadas com doações. Algumas escolas de treinamento se especializam em certos aspectos de treino, mas muitas delas se organizam para fazer de tudo para colocar um cão-guia com um acompanhante. Isto inclui:
  • criar os cães-guia
  • preparar programas de criação de filhotes para futuros cães-guia
  • avaliar os futuros cães-guia
  • treinar os cães-guia
  • treinar os instrutores
  • treinar os acompanhantes
  • combinar os acompanhantes com os cães adequados
  • reavaliar e aposentar os cães-guia
  • conseguir novos lares para os cães aposentados

A maioria dos cães-guia é das raças retrievers labradores (site em inglês), retrievers amarelos ou pastores alemães (site em inglês). Estas três raças são caracterizadas pela inteligência, obediência, força e afabilidade e por isso são muito adequadas para o trabalho. As escolas de cão-guia criam seus cães com muito cuidado, escolhendo os pais com inteligência e habilidade especial de guia.

Mesmo com esta atenção para a boa criação, muitos filhotes não se tornam aptos para o trabalho. Em Olhos-Guia para Cegos (site em inglês), uma respeitada escola de cães-guia com sede em Yorktown Heights, Nova York, treinadores fazem a triagem de filhotes aptos a guiar e rejeitam 20% deles. Alguns desses filhotes continuam na organização que os treinam para outros tipos de serviço (cães que auxiliam pessoas em cadeiras de rodas, por exemplo) e o restante é vendido como animais de estimação (com a condição de que o cão seja castrado, para ajudar o controle populacional de animais de estimação).


Foto cedida Olhos-Guia para Cegos
Cães-guia são em geral retrievers amarelos, retrievers labradores ou pastores alemães
Os outros 80% de filhotes permanecem no caminho para se tornar cães-guia. Conforme veremos nas seções a seguir, o treinamento é intenso, o nível emocional é alto e todos trabalham arduamente. Os resultados são verdadeiramente incríveis: os cães-guia mudam por completo a vida dos seus acompanhantes.

O que os cães-guia fazem


Os cães-guia auxiliam pessoas deficientes visuais a viajar pelo mundo. Na maioria dos países, sua presença é aceita em qualquer lugar público, e eles podem ajudar seus utilizadores a ir a qualquer lugar. Para isso, um cão-guia deve saber:
  • se manter em uma rota direta, ignorando distrações como cheiros, outros animais e pessoas;
  • manter um passo firme, à esquerda e um pouco à frente do seu acompanhante;
  • parar em todos os meio-fios até receber ordem para prosseguir;
  • virar à esquerda e à direita, mover-se para frente quando ordenado;
  • reconhecer e evitar obstáculos ao acompanhante (passagens estreitas e batentes baixos);
  • parar no pé e no topo de escadas até receber ordem para prosseguir;
  • levar o acompanhante aos botões do elevador;
  • deitar em silêncio quando o acompanhante estiver sentado;
  • ajudar o acompanhante a subir e movimentar-se em ônibus, metrô e outras formas de transporte público;
  • obedecer a vários comandos verbais.

Cães-guia no Brasil

O número de deficiente visuais no Brasil está estimado em 150 mil pessoas, sendo que existem aproximadamente 50 cães-guia no país, um número extremamente baixo comparado com outros países. Atualmente existem no Brasil poucos centros de treinamento ou instrutores autônomos para cães-guia.

O cão-guia possui algumas vantagens, ou seja, ele proporciona mais segurança, independência e liberdade. Garante maior velocidade e desenvoltura na locomoção do deficiente visual, e principalmente auxilia a desviar obstáculos aéreos, como galhos de árvores e telefones públicos, que ficam difíceis de ser detectados pela bengala.

No Brasil o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 2005 um decreto regulamentando a Lei do Cão-Guia, em que os portadores de deficiência visual vão poder freqüentar locais públicos acompanhados de cães-guias - somente será vetada a entrada dos animais em centro de terapia intensiva e salas de cirurgias. Este decreto deve garantir aos deficientes visuais o direito de ir e vir sem qualquer tipo de constrangimento.

Para adquirir um cão-guia o deficiente visual tem que procurar os centros de treinamento ou os instrutores autônomos, você pode encontrar alguns desses centros em São Paulo, Porto Alegre e Brasília, como o INTEGRA - Instituto de Integração Social e de Promoção da Cidadania.

Além disso, um cão-guia deve saber desobedecer qualquer comando que coloque o acompanhante em perigo. Esta habilidade chama-sedesobediência seletiva, e talvez seja o aspecto mais interessante sobre os cães-guia, que podem equilibrar obediência com sua própria avaliação da situação.

Esta capacidade é extremamente importante em faixa de pedestres, onde o acompanhante e o cão devem trabalhar muito próximos para conduzir a situação seguramente. Quando alcançam o meio-fio, o cão pára, sinalizando ao acompanhante que ele chegou à faixa de pedestres. Os cães não podem distinguir as cores do semáforo, portanto o acompanhante deve tomar a decisão de quando é seguro atravessar a rua. O acompanhante escuta o fluxo de trânsito para deduzir quando o sinal mudou e dá o comando para "seguir". Se não há perigo, o cão atravessa a rua em uma linha reta. Se há carros se aproximando, o cão espera até o perigo passar e depois segue o comando para prosseguir.

Em uma equipe de cão-guia e acompanhante, o cão-guia não conduz o acompanhante, o acompanhante não controla completamente o cão. Os dois trabalham juntos para ir a qualquer lugar. O cão-guia não conhece onde é o destino, portanto, deve seguir as instruções do acompanhante sobre as distâncias e quando virar. O acompanhante não pode ver os obstáculos no caminho, portanto, o cão-guia deve tomar suas próprias decisões sobre como realizar o percurso da equipe. Cada membro da equipe depende do outro para realizar com sucesso as tarefas.

Conforme um cão-guia se torna mais experiente com seu acompanhante, ele pode ser capaz de ter mais responsabilidade. Por exemplo, muitos cães-guia veteranos conhecem todos os destinos habituais de seu dono. Tudo que o acompanhante tem que dizer é "vá ao escritório" ou "encontre o café", e o cão guia irá seguir a rota completa.

CÃO-GUIA, HERÓI ANÔNIMO EM DEFESA DO HOMEM


Considerado como o melhor amigo do homem, o cão não só é amigo como muitas vezes protetor e guia permanente 24 horas por dia. É o caso do cão-guia, um animal treinado especialmente para acompanhar seu dono em todos os momentos, em casa, na rua, no trabalho e em qualquer outra parte. Nesse caso, sendo seu dono cego ele age como seus olhos e, portanto deve estar sempre junto ao dono. É para o cão toda uma vida de total dedicação ao dono. Por sorte, é mesmo o que um cão mais sonha estar do lado do dono. Além do mais são cães especialmente treinados.

História

A história desses animais extraordinários, cuja paciência e fidelidade ultrapassam todos os limites é antiga. Os primeiros registros da presença de cães-guias encontram-se pintados em um mural nas ruínas de Roman Herculaneum, hoje cidade de Ercolano na Itália. Há alguns outros registros de sua presença na idade média, mas as primeiras tentativas de treinamento desses animais só aconteceram por volta de1780, no Hospital para cegos “Lês Quinze-Vingts” em Paris.

No Brasil um dos primeiros cães-guias foi o labradar Gem que nasceu na Guide Dog Foundation for the Blind, em Nova York em 1996 e faleceu no Rio de Janeiro depois de vários anos de serviços prestados à sua dona a professora Ethel Rosenfeld, uma ativista pelos direitos dos deficientes visuais. O referido cão tornou-se símbolo na implantação de uma cultura de cães-guias no Brasil.

Este labrador usado nas campanhas para a aprovação da lei federal que garante às pessoas cegas acompanhadas de seus cães entrarem ou permanecerem em locais públicos ou particulares de uso coletivo esteve presente na cerimônia de assinatura do Decreto em 21 de setembro de 2006. Pode ainda ficar imortalizado na Calçada da Fama Animal, em Washigton quando foi eleito “cão herói” do Brasil em 2004.

Raças especiais para cães-guias

As raças que possuem características, como temperamento, tamanho e outras importantes para essa atividade, portanto usados no mundo todo são: labrador, golden retriever, collie de pêlo longo ou curto, boxer, bouvier dês flandres e pastor alemão. Sendo que os treinadores sempre avisam que o que importa não é a raça, mas sim o cão.

Os cegos que não se adaptam ao uso de bengalas recorrem ao cão-guia. Neste caso, deverá haver uma perfeita adaptação. Os cães são treinados desde pequenos, mas há um treinamento de adaptação com seu novo dono que também terá que saber como utilizar adequadamente o animal.